terça-feira, 2 de outubro de 2012

Do céu ao inferno e de volta outra vez



Hoje senti emoções que me levaram do céu ao inferno.
E senti raiva, e me revoltei.
E a revolta foi comigo mesma, em 90% do tempo.
Tive vontade de esganar.
Eu tenho um grande amigo, que me ajuda mais ainda a ver a verdade, e que eu nem tinha razão pra tanta revolta, afinal eu fiz uma escolha. Esses são os verdadeiros amigos.
Mas hoje eu pedi pra ele não me mostrar o que eu sabia que era a verdade, só por hoje eu quis que passasse a mão na minha cabeça e falasse que ia passar.
Foi duro pra ele, também foi pra mim.
O tempo foi passando e aquilo fica ali batendo na sua cabeça.
Mas aos poucos foi arrefecendo.
Aos poucos foi diminuindo... passar tudo não passou...
Nada que carinho, cola, pincel, linha e afins não resolvam na minha vida.

sábado, 31 de março de 2012

Não sei...


A cabeça roda
Não sinto mais o chão
É tudo surreal
Ou irreal?
Não sei... mal sei meu nome
Os dias passam
Vagarosamente... cruelmente
Não sei se vou ou se fico
Não sei se grito ou corro
Uma incerteza pungente
Uma inconstância que assola
Eu aqui...
Você... cadê?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O quase


Pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda, que me entristece...

É que ele traz

Tudo que poderia ter sido e não foi.


Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades

Que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.


Muitas vezes eu me pergunto o que leva a gente a escolher uma vida morna.

Ou melhor:

Não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor.

Está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia" quase sussurrados.


Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas,

Os dias seriam nublados e o arco-íris teria tons de cinza.


O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma.

Apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão.

Pros fracassos, chance.

Pros amores impossíveis, tempo.


De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.


Não deixe que a saudade sufoque,

Que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando...

Fazendo que planejando

Sarah Westphal

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sobre relacionamentos

Este texto eu li no Facebook de um amigo virtual e diz algo que penso mas não tinha colocado em palavras, ele colocou tão bem que merece ser compartilhado, sem tirar e nem por.

A confusão que existe hoje nas relações ou encontros é porque queimamos etapas, subjulgamos o outro.

Não conhecemos ainda a outra pessoa, e já estamos nos relacionando de forma íntima.
Não existe um envolvimento maior, nem tentamos conhecer o outro como ser humano, identificar seus desejos,
ambições, projetos de vida, frustações, coisa e tal.

Estamos mais na posição horizontal, que na vertical. E cria-se uma confusão entre o que necessitamos e o que sentimos.

A impressão que tenho é de que estamos todos tentando satisfazer um mesmo desejo, porém de maneira tão individualista e ansiosa que perdemos a noção do que realmente importa.
Assim, a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia.

Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a “ter” cada vez mais.

Um celular novo, um carro novo, uma roupa diferente, uma viagem em suaves prestações...

E isso se reflete nas escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto; das relações sexuais fáceis e fugazes, da liberação desenfreada de intimidade, da cama que chega às relações muito antes de uma apresentação de corações...

Expomos nossos corpos, mas escondemos nossos sentimentos de qualquer maneira!!!

Ou, ao contrário de tudo isso, estou falando da amargura e do mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto...

Mas por outro lado se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto “prometem” as revistas femininas, as cenas equivocadamente exageradas das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é?
Mas não estamos, definitivamente não estamos!

Sabe por quê? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita.

Não se trata de contar quantas vezes já esteve com alguém para saber se já pode transar sem ser chamado de ‘fácil’...

Trata-se de disponibilidade para dar e receber afeto de verdade, sem contabilizar, sem morrer de medo de parecer tolo; sem ser, de fato, pegajoso ou insensível... apenas encontrar a sua medida, o seu verdadeiro desejo de compartilhar o seu melhor!

Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam, sobretudo, fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações. Por isso ao invés de sair por aí dizendo que vai “beijar muuuuito”, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Beije sim, sem se preocupar se é muito ou pouco. Beijar é bom, muito bom, sem dúvidas e transar também, mas empenhe-se antes em trocar afeto, em se relacionar exercitando o respeito pelo outro, o respeito por si mesmo... e estou certo de que os encontros valerão muito mais a pena!
Anderson Marinho (@jfpro)

sábado, 2 de abril de 2011

Sonhos

Uma noite
Dois sonhos
Um intervalo entre eles
Dois fantasmas
Rondam soturnos
Espreitam na escuridão
Entorpecem e confundem
Sonhos estranhos
Realidades difusas
Mente perturbada
À busca da chave
Da porta de saída
Tentando soltar os nós
Despir o véu dos olhos
Confusão instaurada
Fantasmas entram sem ser convidados
Prenúncio?
Desejo contido?
Foram só sonhos
Sonhos... estranhos sonhos...

terça-feira, 15 de março de 2011

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."


Caio Fernando Abreu

sábado, 15 de janeiro de 2011

As flores estão lá

Quando ele menos esperava
O chão abriu sob seus pés
Foi tragado abruptamente
Não havia ali um galho sequer onde se agarrar
Deixou-se cair
Foi caindo... caindo... até o fundo
Não entendia o que estava acontecendo
Pensava que aquilo tudo era parte de um sonho ruim
E logo acordaria e estaria tudo bem
Porém se enganou
Acordou e continuava dentro do pesadelo
Sem entender absolutamente nada
Estava tudo acabado
Intriga... discussão... veneno
Mas ele nunca está sozinho
Em seu jardim permanecem as flores
As flores que ele rega e cuida com esmero
...
Agora os olhos brilham 
Um sorriso se estampa em seu rosto