domingo, 28 de novembro de 2010

O hoje



Por que se pensa tanto no amanhã?
Este amanhã vai chegar?
Você tem certeza disto?
Porque perdemos um tempo danado em esperar
Passamos dias planejando
Mas o que fazemos hoje?
Ah sim, ficamos esperando o amanhã
Eu mentiria se falasse que faço diferente
E estou deixando meu hoje virar ontem
Sempre esperando pelo amanhã
E ele pode ou não chegar
Pode ser breve, não sei
Penso tanto que chego a fundir a cabeça
Resolvi parar de pensar tanto sabe
Não que vá me tornar uma doidivanas impulsiva
Mas pensar menos e fazer mais
Sim, fazer hoje o que refletirá no meu amanhã
Pensamentos só se materializam com ação
Sentar e ver a banda passar...
A banda passa e você continua ali sentado
A banda já está lá adiante
Quando a banda passar o negócio a fazer é acompanhá-la
Tocar e marchar junto
Mesmo que o destino não seja o que você esperou encontrar
Qualquer coisa é só mudar a rota pelo caminho
Fazer acontecer!!

P.S.: sei que é um tema clichê, já se falou e continua falando sobre isso. Mas senti vontade de escrever e pronto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A visita



Chega do nada
Entra na casa dela como um vendaval
Ela sequer o convidou
Mas consente que esteja ali
Tantas coisas
Tanto tempo
Os sentimentos ficaram bem lá atrás
Acabou a raiva, findou o ressentimento
E o que ficou eles não conseguem controlar
Não existe explicação racional para o que passa com os dois
Uma coisa no olhar... intenso
Faíscas quando as bocas se encostam
Explosão quando os corpos se tocam 
Lascívia, volúpia... num frêmito rompante
Palavras soltas, mãos e suor
Os olhos se encontram na plenitude
A vida volta ao real
Eles se despedem... mas ele sempre volta.

domingo, 31 de outubro de 2010

A presença


Céu nublado, chuva que cai
Pensamentos soltos giram ao meu redor
São muito rápidos, não consigo concatenar
Explodem como fogos em dia de festa
Muitos, de vários tons e intensidade
E a chuva cai mansa e constante
Tento frear meus impulsos
Respirar fundo e ver pra que lado seguir
Não consigo...
Para onde quer que eu olhe sua presença é latente
O que quer que eu faça traz você à minha cabeça
Uma música, um filme, o capítulo da novela
Você sempre está lá
Como consegue estar nos meus lugares?
Por que vem sem ser chamado?
Só não sinto o cheiro
Mas a presença é fatal
Tão certa como o sal no mar
Para a chuva...

sábado, 30 de outubro de 2010

A calma


Pra onde quer que eu olhe
Pra onde quer que eu vá
Não tem luz, não tem cor
Um breu em escala de cinza
Assim os dias passam
Não, eles não passam
Eles se arrastam
O relógio caminha
O sol vai e a noite cai
Porque assim tem que ser
Ordem natural das coisas
Perpetuando um vazio sem sentido
(Sem sentido mesmo?)
Vejo-te, mas não te sinto
Não enxergo mais o brilho
Você me diz que ele está lá
E me pede calma, uma eterna calma
Mas a calmaria já me enlouquece
Quero tempestades e turbilhões
Quero ventos fortes e arrebatadores
Sem nem ter tempo a refletir
Apenas sentir e deixar levar
Mas só tem a calma a me acompanhar...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O turbilhão



Surge do nada
Está de volta?
Onde esteve?
Por onde andou?
Apareça pra me explicar
Venha e me fale porque
Por que sumiu? Por que desapareceu?
Faz confusão na minha cabeça
Volta o aperto no meu peito
Os pensamentos atingem uma velocidade sem igual
Desconexos, soltos, desordenados
Lá vou eu remexer no velho baú
Desfazer o pacote que já tinha colocado lá no fundo
Abrir tudo... mas com todo cuidado
Pulsa tudo novamente no meu peito
Tudo que eu pensei já ter superado
Tudo que eu pensei já ter deixado lá atrás
De repente revivo tudo em segundos
As lágrimas rolam pelo meu rosto
Será um sonho – um mero devaneio?
Será a vida me pregando peças?
Acreditar em que?
Explique-se... convença-me
Mostre-me a verdade
Seja ela qual for
Por mais que traga dor
Eu quero tão somente a verdade
Esta que você guardou pra si
Esta que você me privou
Quero agora!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O sonho



Fecho os olhos, ali está você
Como no meu mais doce sonho
Sorrindo pra mim
Não vou abrir os olhos
Não quero sair deste enlevo
Porque é só ali que te vejo
Você sorri e me estende a mão
E neste sonho – mero sonho
Seus carinhos são meus
Não vou acordar
Quero ficar presa a você
No calor do seu abraço
No sabor do seu beijo
No toque, no afago
Nossos olhos brilham de emoção
Ao som de violinos
Sob um céu estrelado
Tendo a lua por testemunha
Um sonho... apenas um sonho...
Abro os olhos...

sábado, 9 de outubro de 2010

Ponto final



Até que enfim um ponto final
Aquele que encerra
O ponto que faltava na estória
O ponto perdido
Havia reticências e apenas isso
Havia mistério e suspense
Um corpo solto no vácuo
Pra onde olhasse apenas o nada
Não havia nada... nem um rastro 
Apenas o silêncio...
O tempo passou
Tudo foi passando junto com ele
Senhor Tempo – deus que acalenta
Remédio para as aflições
As luzes começando a acender
Aos poucos... vagarosamente
Uma descoberta
Um descuido e tudo aparece
Plano mal arquitetado
Deixou um leve vestígio
Raiva... ira... furor
Desabafo e o que faltava vai ao devido lugar
Exatamente o que faltava pra você
Um ponto final.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É chegada a hora



É chegada a hora
Hora de parar
Hora de mudar
Hora de refletir
Pensar... repensar
Ver o que importa
Apagar o que incomoda
Jogar fora o que não serve mais
Sacudir a árvore para cair os frutos podres
É chegada a hora
Hora da mudança 
Hora da reviravolta
Hora de olhar mais além
Pensar... repensar
Dar a mão a quem apraz
Sentir a brisa suave... o vento impetuoso
Olhar além da íris
Seguir adiante

É chegada a hora...

domingo, 26 de setembro de 2010

A chuva



Cabelos voando ao vento
Vento forte
As árvores bailam ao seu sabor
Folhas pelo chão
Um vento frio... como a saudade
Prenúncio de chuva
Chuva forte... intermitente
Chuva copiosa
O anúncio da primavera
Ipês floridos, pássaros cantando
Porém, o céu ainda está nublado
E a chuva ruge no telhado
Lava minh'alma
Leva embora a saudade
Vai chuva, leva... para bem longe
Ao amanhecer o sol voltará
Invadindo a cidade com seu brilho
Trazendo a esperança
Com seus raios cintilantes
Desabrochando a primavera
Colorindo os campos
Aquecendo os corações...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O amigo

Quando o coração aperta
As lágrimas descem 
E o pranto rompe
Você está lá
Não se faz preciso chamar
Basta uma palavra
E mesmo que esteja derrotado
Sinto sua mão estendida em minha direção
Não te vejo, mas sinto teu abraço
Sinto teu carinho e zelo
Um empenho sem fim em me levantar
Você está caído
Mas me empurra pra cima
Fala-me que ali não posso ficar
Que ali não é meu lugar
Eu acredito em você
Sorvo tuas palavras como um bom vinho
Lentamente reergo-me
Confio em ti... plenamente!
Ah!! O amigo!!
O amigo constante
Um vinho tinto
Brindemos!!
As uvas são seletas
Da melhor safra
Da mais frondosa parreira
Rubro como sangue
Forte e incorpado
Caloroso como só o amigo consegue ser
Brindemos!!
À sua... à minha!!
O vinho autêntico 
Que é a amizade leal


P.S.: obrigada amigo!!

domingo, 19 de setembro de 2010

Sopra o vento



Tá ventando pra caramba
Vamos dançar ao sabor do vento...
Se deixar levar pelos sopros que não dizem nada
Mas pare e ouça com atenção, ventos sempre trazem novidades
Mas nem sempre são as novidades que esperamos
Porém nem sempre as coisas são a nosso bel prazer
Nem sempre as coisas são ao prazer de ninguem
Mas uma hora o vento muda, e novos ares sopram
Mas uma hora tudo mudo muda e os ventos voltam
E nessa hora temos que agarrar o que ele trás de bom
E nessa hora que temos de ser o que há de bom
Levantar a cabeça e ver que a vida é boa
Ver que isso foi só um vento
Mas ventos vem e vão... Sempre
Insistentemente igual ao dia que vem após a noite.
Exatamente como a primavera floresce após o inverno
Exatamente como após a tristeza vem a lágrima
E depois da lágrima um sorriso insiste em surgir
E é esse sorriso que faz o mundo girar... como sempre!
Um eterno ciclo... a vida
Um eterno vicio ... a vida
Uma eterna paixão... a vida
Um eterno tudo... a vida
Eternamente a vida... O amor

Era uma conversa normal no msn entre dois amigos, até o vento entrar no papo e o devaneio correr solto...
O amigo em questão é Geovanny Aral (@geo_aral) está todo aí sem retoques, sem correções, da mesma forma em que foi escrito...Adorei!!
Conheça também o blog do Geovanny, You Live You Once 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cai a tarde


Fim da tarde um café

Burburinho lá fora
Aqui a TV fala às paredes
Calor causticante
Impaciência... relógio vagaroso
Andando a passos lentos rumo ao fim de mais um dia
Estrondo... explosão... depois a calmaria
Redenção!
Vento no rosto, trânsito louco
O porto seguro... a paz!
O cansaço me joga no sofá
De repente ouço a música
Uma música apenas
E com ela as lágrimas... nó na garganta
Mas por que?
Cabeça confusa
Lágrimas que insistem em transbordar
Não as impeço
E essa angústia de onde vem?
A música diz: 
"I know I'll survive, I know I'll stay alive"
Sobrevivi sim!! Mais uma vez
Um sorriso estampa meu rosto
Um brilho acende meus olhos
Eu consigo seguir em frente
Sem você a meu lado
Seremos mais felizes assim
"You'll see, somehow, someday"



terça-feira, 14 de setembro de 2010

Luz no horizonte



Olho ali fora e enxergo o horizonte
Olho aqui dentro e vejo a saudade
Ali fora está convidando
Dona Saudade terei que deixá-la
Você que me acompanha a certo tempo
Você que grudou em mim e não quer largar
O horizonte ali fora clama por mim
Terei que abandoná-la à mercê da própria sorte
Você só me ofereceu dor e lágrimas
Angústia e aflição e espera e... silêncio
O horizonte que enxergo não me traz promessas
Não me ilude com juras e belas palavras
Não me seduz com um olhar apaixonado
Tolice... um desatino
Aaahh... vou ali ver o que me espera
Sair deste mundo de ilusão
Tentar divisar um mundo novo
Ali fora onde o sol resplandece
E quanto à você, Dona Saudade
Prepare-se para a partida
Sua passagem só de ida já está em mãos
Ofereceu-me o céu e me deu o inferno
Mostrou-me as rosas e me entregou os espinhos
Repito: ali fora o horizonte convida
Pode ser que ele me logre
Porém ele não me prometeu nada...

domingo, 12 de setembro de 2010

Uma saudade


Doce sonho!
Noites de verão frente ao mar
Dançamos sob as estrelas
Testemunhas taciturnas do amor 

Saudades tuas!
Transborda o peito, sangra os olhos
Saudades de quem não conheci
Saudades do que nunca existiu

Doce sonho! 
Madrugadas de outono
A melodia do teu violão
Nos olhos esperança e desejo

Saudades tuas! 
Penetrante e insaciável
Que aprisiona e tece a solidão
Hoje, saudades de mim.

Doce sonho!
Longo e frio inverno
O cheiro, o toque... o beijo
Labaredas em meu coração

Saudades tuas!
Que vai desenhando um pedaço de mim,
Arrancando suspiros na escuridão da noite
Doce sonho... doce pesadelo



Post escrito em parceria com a amiga Rozeli Mesquita de Campinas-SP (@RozeliMesquit)
Leia mais do belo trabalho dela clicando AQUI... poetisa de primeira grandeza, deu-me a honra de duetar com ela, eu uma simples aprendiz... obrigada Roze!!