domingo, 31 de outubro de 2010

A presença


Céu nublado, chuva que cai
Pensamentos soltos giram ao meu redor
São muito rápidos, não consigo concatenar
Explodem como fogos em dia de festa
Muitos, de vários tons e intensidade
E a chuva cai mansa e constante
Tento frear meus impulsos
Respirar fundo e ver pra que lado seguir
Não consigo...
Para onde quer que eu olhe sua presença é latente
O que quer que eu faça traz você à minha cabeça
Uma música, um filme, o capítulo da novela
Você sempre está lá
Como consegue estar nos meus lugares?
Por que vem sem ser chamado?
Só não sinto o cheiro
Mas a presença é fatal
Tão certa como o sal no mar
Para a chuva...

sábado, 30 de outubro de 2010

A calma


Pra onde quer que eu olhe
Pra onde quer que eu vá
Não tem luz, não tem cor
Um breu em escala de cinza
Assim os dias passam
Não, eles não passam
Eles se arrastam
O relógio caminha
O sol vai e a noite cai
Porque assim tem que ser
Ordem natural das coisas
Perpetuando um vazio sem sentido
(Sem sentido mesmo?)
Vejo-te, mas não te sinto
Não enxergo mais o brilho
Você me diz que ele está lá
E me pede calma, uma eterna calma
Mas a calmaria já me enlouquece
Quero tempestades e turbilhões
Quero ventos fortes e arrebatadores
Sem nem ter tempo a refletir
Apenas sentir e deixar levar
Mas só tem a calma a me acompanhar...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O turbilhão



Surge do nada
Está de volta?
Onde esteve?
Por onde andou?
Apareça pra me explicar
Venha e me fale porque
Por que sumiu? Por que desapareceu?
Faz confusão na minha cabeça
Volta o aperto no meu peito
Os pensamentos atingem uma velocidade sem igual
Desconexos, soltos, desordenados
Lá vou eu remexer no velho baú
Desfazer o pacote que já tinha colocado lá no fundo
Abrir tudo... mas com todo cuidado
Pulsa tudo novamente no meu peito
Tudo que eu pensei já ter superado
Tudo que eu pensei já ter deixado lá atrás
De repente revivo tudo em segundos
As lágrimas rolam pelo meu rosto
Será um sonho – um mero devaneio?
Será a vida me pregando peças?
Acreditar em que?
Explique-se... convença-me
Mostre-me a verdade
Seja ela qual for
Por mais que traga dor
Eu quero tão somente a verdade
Esta que você guardou pra si
Esta que você me privou
Quero agora!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O sonho



Fecho os olhos, ali está você
Como no meu mais doce sonho
Sorrindo pra mim
Não vou abrir os olhos
Não quero sair deste enlevo
Porque é só ali que te vejo
Você sorri e me estende a mão
E neste sonho – mero sonho
Seus carinhos são meus
Não vou acordar
Quero ficar presa a você
No calor do seu abraço
No sabor do seu beijo
No toque, no afago
Nossos olhos brilham de emoção
Ao som de violinos
Sob um céu estrelado
Tendo a lua por testemunha
Um sonho... apenas um sonho...
Abro os olhos...

sábado, 9 de outubro de 2010

Ponto final



Até que enfim um ponto final
Aquele que encerra
O ponto que faltava na estória
O ponto perdido
Havia reticências e apenas isso
Havia mistério e suspense
Um corpo solto no vácuo
Pra onde olhasse apenas o nada
Não havia nada... nem um rastro 
Apenas o silêncio...
O tempo passou
Tudo foi passando junto com ele
Senhor Tempo – deus que acalenta
Remédio para as aflições
As luzes começando a acender
Aos poucos... vagarosamente
Uma descoberta
Um descuido e tudo aparece
Plano mal arquitetado
Deixou um leve vestígio
Raiva... ira... furor
Desabafo e o que faltava vai ao devido lugar
Exatamente o que faltava pra você
Um ponto final.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É chegada a hora



É chegada a hora
Hora de parar
Hora de mudar
Hora de refletir
Pensar... repensar
Ver o que importa
Apagar o que incomoda
Jogar fora o que não serve mais
Sacudir a árvore para cair os frutos podres
É chegada a hora
Hora da mudança 
Hora da reviravolta
Hora de olhar mais além
Pensar... repensar
Dar a mão a quem apraz
Sentir a brisa suave... o vento impetuoso
Olhar além da íris
Seguir adiante

É chegada a hora...