terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O quase


Pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda, que me entristece...

É que ele traz

Tudo que poderia ter sido e não foi.


Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades

Que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.


Muitas vezes eu me pergunto o que leva a gente a escolher uma vida morna.

Ou melhor:

Não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor.

Está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia" quase sussurrados.


Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas,

Os dias seriam nublados e o arco-íris teria tons de cinza.


O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma.

Apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão.

Pros fracassos, chance.

Pros amores impossíveis, tempo.


De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.


Não deixe que a saudade sufoque,

Que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando...

Fazendo que planejando

Sarah Westphal

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sobre relacionamentos

Este texto eu li no Facebook de um amigo virtual e diz algo que penso mas não tinha colocado em palavras, ele colocou tão bem que merece ser compartilhado, sem tirar e nem por.

A confusão que existe hoje nas relações ou encontros é porque queimamos etapas, subjulgamos o outro.

Não conhecemos ainda a outra pessoa, e já estamos nos relacionando de forma íntima.
Não existe um envolvimento maior, nem tentamos conhecer o outro como ser humano, identificar seus desejos,
ambições, projetos de vida, frustações, coisa e tal.

Estamos mais na posição horizontal, que na vertical. E cria-se uma confusão entre o que necessitamos e o que sentimos.

A impressão que tenho é de que estamos todos tentando satisfazer um mesmo desejo, porém de maneira tão individualista e ansiosa que perdemos a noção do que realmente importa.
Assim, a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia.

Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a “ter” cada vez mais.

Um celular novo, um carro novo, uma roupa diferente, uma viagem em suaves prestações...

E isso se reflete nas escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto; das relações sexuais fáceis e fugazes, da liberação desenfreada de intimidade, da cama que chega às relações muito antes de uma apresentação de corações...

Expomos nossos corpos, mas escondemos nossos sentimentos de qualquer maneira!!!

Ou, ao contrário de tudo isso, estou falando da amargura e do mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto...

Mas por outro lado se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto “prometem” as revistas femininas, as cenas equivocadamente exageradas das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é?
Mas não estamos, definitivamente não estamos!

Sabe por quê? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita.

Não se trata de contar quantas vezes já esteve com alguém para saber se já pode transar sem ser chamado de ‘fácil’...

Trata-se de disponibilidade para dar e receber afeto de verdade, sem contabilizar, sem morrer de medo de parecer tolo; sem ser, de fato, pegajoso ou insensível... apenas encontrar a sua medida, o seu verdadeiro desejo de compartilhar o seu melhor!

Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam, sobretudo, fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações. Por isso ao invés de sair por aí dizendo que vai “beijar muuuuito”, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Beije sim, sem se preocupar se é muito ou pouco. Beijar é bom, muito bom, sem dúvidas e transar também, mas empenhe-se antes em trocar afeto, em se relacionar exercitando o respeito pelo outro, o respeito por si mesmo... e estou certo de que os encontros valerão muito mais a pena!
Anderson Marinho (@jfpro)

sábado, 2 de abril de 2011

Sonhos

Uma noite
Dois sonhos
Um intervalo entre eles
Dois fantasmas
Rondam soturnos
Espreitam na escuridão
Entorpecem e confundem
Sonhos estranhos
Realidades difusas
Mente perturbada
À busca da chave
Da porta de saída
Tentando soltar os nós
Despir o véu dos olhos
Confusão instaurada
Fantasmas entram sem ser convidados
Prenúncio?
Desejo contido?
Foram só sonhos
Sonhos... estranhos sonhos...

terça-feira, 15 de março de 2011

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."


Caio Fernando Abreu

sábado, 15 de janeiro de 2011

As flores estão lá

Quando ele menos esperava
O chão abriu sob seus pés
Foi tragado abruptamente
Não havia ali um galho sequer onde se agarrar
Deixou-se cair
Foi caindo... caindo... até o fundo
Não entendia o que estava acontecendo
Pensava que aquilo tudo era parte de um sonho ruim
E logo acordaria e estaria tudo bem
Porém se enganou
Acordou e continuava dentro do pesadelo
Sem entender absolutamente nada
Estava tudo acabado
Intriga... discussão... veneno
Mas ele nunca está sozinho
Em seu jardim permanecem as flores
As flores que ele rega e cuida com esmero
...
Agora os olhos brilham 
Um sorriso se estampa em seu rosto


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

De amigo a vilão

Livros, apostilas, caderno, lápis, borracha, caneta e o tão amado marca-textos – amado sim, imprescindível nessa atual maratona em que me enfiei. Junto a isso muito calor nesta terra e café – o amigo que desperta e acende o ânimo para mais horas à frente de tudo aquilo ali em cima.

Fim do dia, olhos cansados, corpo alquebrado – esgotamento. O banho refresca e relaxa, ainda é cedo. Após o jantar uma luta ferrenha para não entregar os pontos tão cedo. Até que não dá mais. O corpo pede cama, sono e descanso... já prevendo o dia seguinte quando a batalha iria recomeçar.

Travesseiros, aconchego, o livro está ali no canto da cama, dou boa noite a ele – esta noite não vai dar. Apaga a luz, ajeita-se na cama e... o sono desaparece. O corpo clama por dormir... mas o cérebro não desliga. Sim, está instalada uma grande crise – a insônia.

Insônia atrevida que ninguém chamou e por quê? Ela não faz parte do dia-a-dia. Ela não foi convidada – espera, para tudo!!! Foi sim – o amigo café conversou tanto durante o dia que chamou essa chata para me fazer companhia.

Rola de um lado, rola de outro. Planeja o dia seguinte. Vive coisas fantasiosas. Revive momentos bons. Conta carneirinhos...  mas nada resolve. Pega o celular, entra na internet. Permanece no celular, fuça todos os joguinhos disponíveis. Deixa o celular de lado... e nada.

Acende a luz, pega o livro. Dois capítulos e nada. Levanta da cama, vai à cozinha. Isso é hora de ligar o liquidificador pra fazer suco de maracujá? Já passava das 2:00h. E nada. Óleo relaxante na testa e uma decisão – dormir a qualquer custo. Como se fosse simples assim.

2:35h foi o último horário que  lembro de ver na tela do celular. O que funcionou? Não sei. Deve ter esgotado o efeito da cafeína. O mais legal? 7:10h estava acordada.

Insônia é uma coisa que esgota a gente – concentração nula no dia seguinte. Fui obrigada a deixar livros, apostilas, caderno, lápis, borracha, caneta e o tão amado marca-textos tudo de lado – e o café – como viver sem ele? Não dá – literalmente.


domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre cimento e tijolo

Ontem e hoje.
O que separa um ano do outro além dos intermináveis fogos de artifício?
Tão somente as doze badaladas do relógio na noite de 31 de dezembro.
Os dias que antecedem a esta data no calendário torna as pessoas muito mais afáveis e simpáticas, tudo isso num passe de mágica. Todos lhe sorriem, até aquele ser que passou o ano de cara amarrada para tudo e todos, de repente irrompe em carisma infindável. E daí porque é fim de ano você é obrigado a sorrir para o ser? Hipocrisia barata.
É nesta época também que as pessoas comprometem suas finanças até praticamente o fim do próximo ano - lembrando por meses a fio as compras da época. Além da benevolência e da gastança desmedida, entram também as promessas para o ano que bate à porta. Menos promessas e mais ação, que tal? Projetar se faz mais importante do que prometer. Promessa é dívida - é bem provável que você fique devendo. Faça um projeto para o seu ano -- ou não -- e se o fizer prepare o terreno para o alicerce, levante as paredes e cubra com as telhas. Cansei de prometer para o ano novo e não cumprir...
O ano começa e meu projeto está pronto, depende só de mim.
O que esperar?
Nada. O negócio é colocar o projeto em ação, mãos a obra. De nada adianta esperar que a bondade divina faça as coisas acontecerem. Se eu não mexer o cimento e assentar os tijolos não terei as paredes.
Hora de preparar o alicerce.


Um ano repleto de lírios no seu jardim --  lindos e vistosos.

(escrito em 01/01/11)