quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sobre relacionamentos

Este texto eu li no Facebook de um amigo virtual e diz algo que penso mas não tinha colocado em palavras, ele colocou tão bem que merece ser compartilhado, sem tirar e nem por.

A confusão que existe hoje nas relações ou encontros é porque queimamos etapas, subjulgamos o outro.

Não conhecemos ainda a outra pessoa, e já estamos nos relacionando de forma íntima.
Não existe um envolvimento maior, nem tentamos conhecer o outro como ser humano, identificar seus desejos,
ambições, projetos de vida, frustações, coisa e tal.

Estamos mais na posição horizontal, que na vertical. E cria-se uma confusão entre o que necessitamos e o que sentimos.

A impressão que tenho é de que estamos todos tentando satisfazer um mesmo desejo, porém de maneira tão individualista e ansiosa que perdemos a noção do que realmente importa.
Assim, a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia.

Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a “ter” cada vez mais.

Um celular novo, um carro novo, uma roupa diferente, uma viagem em suaves prestações...

E isso se reflete nas escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto; das relações sexuais fáceis e fugazes, da liberação desenfreada de intimidade, da cama que chega às relações muito antes de uma apresentação de corações...

Expomos nossos corpos, mas escondemos nossos sentimentos de qualquer maneira!!!

Ou, ao contrário de tudo isso, estou falando da amargura e do mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto...

Mas por outro lado se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto “prometem” as revistas femininas, as cenas equivocadamente exageradas das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é?
Mas não estamos, definitivamente não estamos!

Sabe por quê? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita.

Não se trata de contar quantas vezes já esteve com alguém para saber se já pode transar sem ser chamado de ‘fácil’...

Trata-se de disponibilidade para dar e receber afeto de verdade, sem contabilizar, sem morrer de medo de parecer tolo; sem ser, de fato, pegajoso ou insensível... apenas encontrar a sua medida, o seu verdadeiro desejo de compartilhar o seu melhor!

Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam, sobretudo, fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações. Por isso ao invés de sair por aí dizendo que vai “beijar muuuuito”, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Beije sim, sem se preocupar se é muito ou pouco. Beijar é bom, muito bom, sem dúvidas e transar também, mas empenhe-se antes em trocar afeto, em se relacionar exercitando o respeito pelo outro, o respeito por si mesmo... e estou certo de que os encontros valerão muito mais a pena!
Anderson Marinho (@jfpro)